Ontem, 31 de março, ocorreu a 165a reunião ordinária do Conselho Universitário (Consu), por meio digital. Na pauta deliberativa, nada constava a respeito da pandemia do coronavírus e seus impactos na Universidade. Mas, no entanto, este foi o ponto fundamental discutido no expediente (quando conselheiras/os tem a oportunidade de se manifestarem sobre assuntos que julgam pertinentes). A reunião durou cerca de oito horas. A ADunicamp esteve representada por seu presidente, o professor Wagner Romão.

Ao longo do expediente, quase todas as falas discutiram a permanência do semestre letivo com a utilização de plataformas digitais para a interação entre docentes e estudantes. A representação discente apresentou manifestações de estudantes a respeito das dificuldades em se acompanhar disciplinas com a preservação da qualidade no ensino e aprendizagem, em grande parte motivada pela falta de acesso adequado a internet, potencializado por situações pessoais extenuantes no contexto da pandemia e da quarentena.

O professor Wagner Romão destacou a necessidade (veja aqui: https://youtu.be/01BGrR_SS2o) do respeito ao Estatuto da Unicamp e aos órgãos colegiados da Universidade para que decisões melhores e efetivamente democráticas possam ser tomadas. Ressaltou que a Diretoria da ADunicamp tem recebido depoimentos e observado manifestações nas mídias sociais que dão conta das dificuldades da transição das aulas presenciais para as atividades não presenciais, também potencializadas pela quarentena, cuidado dos afazeres domésticos, cuidado com filhas/os, mães, pais, idosos etc. Pontuou ainda o caso mais grave das/os docentes da área da saúde, que deveriam estar se dedicando exclusivamente ao trabalho no HC, CAISM e outras unidades de saúde. Afirmou que a ADunicamp encontra-se à disposição das/os docentes que sentirem sua liberdade de cátedra e seus direitos trabalhistas desrespeitados. Por fim, lembrou novamente da necessidade imperativa que, como previsto no Estatuto da Unicamp, os órgãos colegiados sejam convocados para deliberar sobre o calendário escolar e outros assuntos relativos a como a Universidade vem tratando os impactos da pandemia.

Diversas falas se sucederam, de diretores/as e membros da representação docente e discente. A maioria reforçando os aspectos mencionados acima, ressaltando a necessidade de mais diálogo para que possamos sair fortalecidos da presente situação. Algumas poucas falas corroboraram as ações tomadas até aqui pela Reitoria e Pró-Reitorias.

Pró-reitores/as e o próprio reitor defenderam com ênfase as decisões tomadas até aqui e os problemas que seriam causados por um cancelamento do semestre. Ressaltaram o ineditismo e as incertezas da situação.

Infelizmente, também é preciso dizer que em diversos momentos se referiram de maneira desrespeitosa às críticas, defendendo que teriam sido “falas orquestradas”, que seria necessário que conselheiros/as deveriam “ler novamente as GRs” e que as falas obedeceriam “movimentos políticos” alheios à questão.

O reitor pediu “propostas concretas” ao iniciar a fala que concluiu a reunião do Conselho Universitário. Entretanto, infelizmente, os canais parecem estar bloqueados para que estas propostas possam ser apresentadas e discutidas. A Reitoria e as Pró-Reitorias têm se utilizado de reuniões com diretores e/ou com coordenadores de graduação e pós-graduação, que não estão previstas no Estatuto da Unicamp como instâncias de deliberação e onde as representações dos discentes, dos docentes e dos técnico-administrativos não existem!

A Diretoria da ADunicamp entende que é importante manter a interação entre docentes e estudantes durante a quarentena. Isso, porém, não pode ser obrigatório e não pode ser penoso. Deve respeitar fragilidades próprias da pandemia e fragilidades estruturais próprias da desigualdade digital que se reforça nesta situação. Ninguém pode ficar para trás nesta crise.

É função precípua do sindicato defender os direitos de seus filiados/as e de sua categoria. Assim, defenderemos quem se julgar prejudicado pelas normas estabelecidas pela Reitoria até aqui, sobretudo aquelas contra a liberdade de cátedra e contra direitos trabalhistas. Isto vale também para aquelas e aqueles que entendem que se trata de uma ofensa ao seu trabalho docente esta transição abrupta para atividades à distância sem critério e sem parcimônia. A relação professor/a – aluno/a de modo presencial precisa também ser defendida como modelo de ensino, de formação e de conhecimento nas universidades públicas. Temos certeza que é este modelo que a sociedade mais ampla quer e espera da Unicamp.

Não somos donos da verdade. Não temos certeza do caminho a tomar. Tampouco a Reitoria, como reconheceu ontem o reitor. Mas, temos certeza que o melhor caminho poderá ser encontrado no diálogo e no respeito às posições divergentes. A ADunicamp está pronta a colaborar. Aliás, já estamos fazendo isso em contato com o setor de saúde da Universidade. Entendemos que a Reitoria precisa mudar de postura e realmente se abrir ao diálogo com docentes e estudantes, e também com técnico-administrativos, para tomar as melhores decisões nesta crise, que será dura e longa.

A Diretoria da ADunicamp

Em Tempo

Fala do Prof. Marcelo Knobel, Reitor da Unicamp – https://youtu.be/D6qJX7Lq8TA?t=18367

Reuniãodo CONSU na íntegra – https://youtu.be/D6qJX7Lq8TA