Nesta carta aberta a Diretoria da ADUnicamp – Associação de Docentes da Universidade Estadual de Campinas – vem externar à Reitoria e à comunidade universitária como um todo sua preocupação com os termos do anunciado retorno das atividades presenciais em setembro próximo pelo Governo do Estado de São Paulo.

É sabido que a Reitoria, visando preparar a Universidade para o retorno às atividades presenciais, baixou recentemente 11 Portarias por meio das quais são constituídos distintos grupos de trabalho que têm por função definir e gerenciar ações de segurança, orientação e informação da comunidade universitária durante a pandemia (ver abaixo uma breve descrição de cada uma das 11 Portarias).

É precisamente esse contexto de retorno em meio à pandemia o objeto principal desta Carta, cujo sentido é o de exortar a administração superior da Universidade a considerar uma estreita interação com a comunidade, não apenas para deixá-la inteiramente informada sobre suas ações, como estimulada a colaborar com elas – do que dependerá não apenas a continuidade das atividades e serviços de excelência da Universidade, mas a da própria vida de seus integrantes.

Nesse cenário, esta Carta vem a público assinalar as condições que nos parecem imprescindíveis  para nortear qualquer plano de retorno às atividades presenciais e exortar a Reitoria que não apenas as leve em conta, como as coloque em pauta em instâncias variadas de participação coletiva nas quais docentes, discentes e servidores técnico-administrativos possam efetivamente levantar suas experiências, demandas e contribuições colhidas até aqui nesse período pandêmico. A seguir, assinalamos cada uma das condições básicas norteadoras das ações previstas em um plano de retorno às atividades presenciais:

i. comprovação de diminuição drástica dos índices de contágio e óbitos relativos à pandemia de COVID-19;

ii. garantia de acesso a todos da comunidade universitária de medidas de prevenção;

iii. controle institucional das medidas de segurança desenvolvidas no âmbito da Universidade para evitar o contágio por coronavirus, bem como as situações sanitárias impróprias de trabalho;

iv. garantia de acesso ao uso de medidas de proteção aos que atuam na área da Saúde;

v. planejamento conjunto de ações sanitárias que envolvam a administração da Universidade e as administrações ou instâncias institucionais do entorno dos espaços com os quais ela mantém contato cotidiano, seja no distrito de Barão Geraldo, seja em outros campi.  Observamos, quanto a este ponto, que a Unicamp – com suas salas de aula, laboratórios, institutos, faculdades, prédios administrativos, etc. –  é ponto de passagem para alunos, docentes e funcionários da Facamp e de moradores de bairros circunvizinhos;

vi. consulta aos docentes, discentes e servidores técnico-administrativos a respeito de suas experiências e demandas por condições sanitárias de trabalho, o que implica não só a compartilha ou a divulgação de todas as ações que a Reitoria venha a propor no período. Damos um exemplo que justifica a inserção deste item: as Unidades e demais organismos da Universidade apresentam condições sanitárias, funcionais e estruturais heterogêneas, que podem exigir iniciativas administrativas distintas para a realização de suas atividades presenciais. Conhecê-las é uma garantia de melhor compreensão da realidade dos nossos espaços físicos e das soluções aventadas para garantir a segurança que mencionamos no item (iii);

vii. garantia de ampla participação do corpo docente nas decisões em torno dos projetos e modelos de ensino e pesquisa desenvolvidos no âmbito da Universidade no contexto da pandemia.

 

Caso essas condições não sejam concretizadas, julgamos um risco inominável o retorno às atividades presenciais, como as mais sofridas e incautas experiências recentes têm demonstrado, no Brasil e no Mundo.

Por último, a ADUnicamp coloca-se à disposição para estabelecer uma interlocução com a Reitoria da Universidade sobre os tópicos aqui mencionados, bem como sobre outros que eventualmente se façam necessários nesse momento e que estejam no coração de nosso objetivo de garantir condições de trabalho adequadas aos docentes da Universidade e todas as condições para que a Unicamp continue a ser – no contexto da crise sanitária e política trazida ou agudizada pela pandemia – a expressão de excelência de ensino e pesquisa da universidade pública brasileira: gratuita, laica, socialmente referenciada e PRESENCIAL!