As universidades públicas, assim como a Cultura e a Ciência, passam por um momento muito difícil, enfrentando ataques sistemáticos no Brasil e no mundo, e por isso é indispensável a unidade de todos os segmentos ligados ao conhecimento para enfrentar esse quadro adverso. Foi essa a avaliação feita pelo presidente da ADunicamp e coordenador do Fórum das Seis, professor Wagner Romão (IFCH), na Mesa de Abertura do 39° Congresso do ANDES-SN, ocorrido nesta terça-feira, 4, em São Paulo.

O Congresso acontece na sede da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) – Seção Sindical e tem como tema central, este ano, “Por liberdades democráticas, autonomia universitária e em defesa da educação pública e gratuita”.

Durante os seis dias do Congresso, a ser encerrado dia 8, serão discutidos temas ligados à análise dos impactos e formas de reação às políticas  e  ataques recentes dirigidos  à educação, à tecnologia e à ciência públicas, disparados a partir do próprio MEC (Ministério da Educação) e de outros setores do governo Federal e de alguns governos estaduais.

“Estamos num momento extremamente difícil da história mundial, um momento em que o capitalismo financeiro vai oprimindo cada vez mais, gerando mais e mais desigualdades, aprofundando as desigualdades. Além de tudo, vivemos uma crise cultural, uma crise moral. Não é à toa que a cultura, as universidades, as instituições de pesquisa são as mais atacadas, não só no Brasil, mas no mundo todo”, afirmou Romão.

O Congresso anual do ANDES-SN é a instância máxima de decisões da categoria e pretende deliberar também sobre as pautas e estratégias de ação a serem disparadas ao longo do ano em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade.

Outro ponto colocado na pauta das discussões e debates que ocorrerão ao longo do encontro é o quadro de obscurantismo cultural que ronda o país. “Nós vivemos num momento em que a mentira tem vencido contra o conhecimento. E que grande parte das pessoas acredita mais na religião do que na ciência”, pontuou. Romão defendeu a construção de uma pauta e uma estratégia “de unidade” durante o Congresso. “Este momento é extremamente difícil e é por isso que nós temos que nos desdobrar e construir o que temos falado tanto aqui nesta Mesa de Abertura, que é a unidade. A unidade na diversidade: nos escutarmos sem sectarismos sem isolacionismos para conseguirmos derrotar esse enorme inimigo que está batendo às nossas portas e que está atuando para acabar conosco. Conosco não apenas os trabalhadores, mas aqueles que podem construir o conhecimento, criar o conhecimento para a transformação da nossa sociedade. Espero que esse seja o espírito que caminhe conosco ao longo destes dias”, defendeu.