O Hospital Estadual de Sumaré (HES) é um hospital público administrado através de um convênio entre a
Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) e a Universidade Estadual de Campinas, desde setembro de
2000.

Desde o início de suas atividades, foram efetuadas quase 150 mil cirurgias, 38 mil partos e mais de 1
milhão de atendimentos. Seu funcionamento permitiu uma expressiva redução da demanda de pacientes
atendidos no Complexo Hospitalar da Unicamp e outros hospitais públicos da região.

O hospital realiza uma média mensal de 1.200 internações, 1050 cirurgias, aproximadamente 6,5
mil consultas especializadas, 1500 atendimentos de urgência, 250 partos (é referência para partos de alto
risco), cerca de 25 mil exames laboratoriais e 4000 de imagem/mês. Embora a abrangência principal do
hospital seja dirigida para os municípios de Americana, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa, Santa
Bárbara do Oeste e Sumaré, o impacto assistencial é regional, com destaque para a cidade de Campinas
que, por ser um polo regional de saúde, também acolhe usuários destes mesmos municípios. O HES
também tem grande importância na formação profissional e pesquisa científica (com a presença de
graduandos, pós-graduandos e residentes de vários cursos da área de saúde), o que também
significa um grande impacto na qualificação do SUS. Além disso, o HES também foi o primeiro hospital do
interior de São Paulo a ser reconhecido com a melhor avaliação possível do sistema Qmentum de
acreditação hospitalar canadense e está entre os 4 hospitais públicos do país que conquistaram este
indicador de qualidade.

Apesar da inegável importância regional e da qualidade reconhecida pela população, o HES não tem sido
valorizado pela SES-SP nos últimos anos. No início deste ano, na repactuação do contrato com a SES-SP,
um conjunto de cortes orçamentários causou perdas enormes para a população:

  • A rede de pediatria era composta por uma unidade de urgência referenciada (que fazia cerca 2730
    atendimentos por ano), uma enfermaria de 16 leitos e uma UTI com 5 leitos (ambas somando cerca de
    600 internações/ano).
  • A partir de agora haverá apenas uma UTI com 5 leitos e mais 5 leitos de enfermaria para suporte à UTI.
  •  Haverá uma importante redução nas cirurgias de urgência pediátrica (por exemplo, apendicite e fraturas
    em crianças) e serão realizados muito menos procedimentos por causa da redução de leitos.
  • Crianças terão que ser direcionadas para internação apenas quando houver leito vago, porém os leitos
    de pediatria foram reduzidos em 70%.
  • Com esta configuração praticamente não será mais possível ao HES receber encaminhamentos de
    crianças para avaliação na urgência.
  • E perde-se também a cirurgia pediátrica eletiva.
    Além disto, outras áreas também foram afetadas pelos cortes e deixarão de ser realizados anualmente:
  • 4.800 exames de tomografia computadorizada;
  • 2.200 exames de ressonância nuclear magnética;
  • 400 exames de endoscopia;
  • Também foi afetado o centro cirúrgico ambulatorial, sendo que a população perderá 2.700 cirurgias por
    ano;
  • Em decorrência da redução de cirurgias, deixarão de ser realizadas anualmente cerca de 12.000
    consultas;
  • Na oftalmologia a população perderá anualmente: 5500 consultas ano, 1330 cirurgias de catarata, 145
    procedimentos de retina, 45 de glaucoma.

Diante dos fatos, o Conselho Municipal de Saúde de Campinas manifesta seu repúdio à SES-SP e
entende que os cortes ao HES representam um ataque ao SUS de toda região de Campinas, assim como
um desrespeito à vida da população desta região.

Campinas, 10 de fevereiro de 2021.
Conselho Municipal de Saúde