A Diretoria da ADunicamp convidou todos/as candidatos/as a vereador/a ligados à Unicamp para escreverem sobre “a universidade e o desenvolvimento da cidade de Campinas”. Os textos serão publicados por ordem de chegada. A seguir, confira o material preparado pela candidata Katia Stancato:

 


 

Desde que a Unicamp foi construída, o nome da cidade de Campinas se vinculou ao nome da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Uma aliança celebrada em 2020, de vida e prestação de serviços humanitários de nossa querida Unicamp. E essa história completou em 2020, significativos e relevantes 53 anos.  Desde então, a Unicamp esteve e está promovendo o desenvolvimento de Campinas, de diversas formas: pragmáticas, simbólicas e afetivas. Neste texto, convido o leitor, a população de Campinas, a refletir sobre o momento de constantes mudanças locais, nacionais e no contexto global de uma sociedade humana que enfrenta grandes desafios no final destas duas décadas do Milênio. 

O que é desenvolvimento em Campinas no ano de 2020? Podemos pensar em êxito, atingir objetivos previamente estabelecidos, superar metas, alcançar um novo status econômico, ascender na perspectiva do economicamente e da inclusão? Sabemos que o conceito de desenvolvimento para uma cidade é um estado de condições amplas as quais podem envolver tanto as riquezas materiais arregimentadas, o avanço tecnológico e qualidade de vida, melhores condições de saúde, enfim, uma vida coletiva comtemplada por mais acessos à vida com dignidade. Nesta linha de pensamento, a Unicamp colabora há 53 anos com Campinas.

E Campinas, como parte integrante de uma sociedade mais abrangente – a sociedade brasileira –, sente e reverbera grande parte dos eventos que representem mudança, desenvolvimento econômico e humano, como também retrocessos, impactos ambientais, perdas culturais e socioeconômicas. O clima mudou no Planeta, as chuvas caem em diferentes estações, as altas temperaturas assustam e geram desconforto, perde-se fauna e flora em queimadas no Pantanal e na Amazônia. Latente a todos estes fenômenos, a percepção da necessidade de pausa, de refrearmos ritmos, de desacelerarmos padrões, antes tidos como marcadores de prosperidade. Porém, a pausa imposta pela pandemia pede também atitude e disposição para mudanças.

Em 2020, além da pandemia Covid-19, muitos desdobramentos de processos históricos e ambientais nos fizeram refletir sobre a continuidade de organismos sociais ou a necessidade de observarmos os fenômenos da vida e assumirmos com responsabilidade o papel de cuidadores das coisas sociais e das vidas que nos cercam. É preciso considerar que organismos vivos são complexos, necessitam ser conhecidos em profundidade. E assim como um organismo vivo, a cidade de Campinas tem suas especificidades, suas características, uma fisionomia social digna de admiração, mas que desvela, já há alguns 10 anos, a premência de uma gestão municipal que introduza a filosofia do cuidado responsável, no melhor sentido desta expressão.

Campinas, com seus 1,2 milhão de habitantes continua sendo destino para brasileiros de outras regiões ou cidades paulistas. De 2019 para 2020 a cidade atraiu 9,7 mil novos moradores, segundo informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Temos de nos perguntar: o quê Campinas ainda reserva de atraência para aqueles que deixam seu lugar de origem e resolvem plantar sonhos, sobreviver, empreender à migração? Campinas tem muitos pontos de convergência, muitos imãs, além de indústrias de ponta, pólos de alta tecnologia, pujança no setor terciário e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ao longo de seus 53 anos de existência é, e continuará a ser um referencial, um desejo de destino, uma necessidade como centro de ensino, pesquisa científica de alto nível, extensão e atendimento em Saúde.

No entanto, conforme introduzi, a reflexão neste texto, tudo que é vivo exige o ato do cuidado, do zelo, da promoção do bem-estar em múltiplas dimensões. E isso faz parte da compreensão do ciclo vital. Os seres e criações que nascem, vivem, se desenvolvem, imperativamente passam pelo experimento da demanda de serem cuidados ou de terem de encontrar os recursos necessários para sua sobrevivência e/ou desenvolvimento. Uma empresa, uma cidade, uma tradição, as instituições, todas as criações sociais que sustentam o fluxo da vida em coletividade passam por ciclos. Na natureza, as plantas, os animais, os oceanos, tudo vive sob a égide de um ciclo de vida, sendo que o tempo de existência individual dos seres varia de acordo com diversos fatores: o quanto ele é autônomo em seus ecossistema, o quanto de recursos ele dispõe para se manter vivo, o quanto ele é forte e resiliente para persistir às intempéries. 

Enfim, cada cidade, cada universidade tem seu ciclo vital e cabe a estas entidades conhecerem sua natureza, seus limites, as advertências dos riscos, os seus processos e obviamente ter um planejamento em constante observância do mundo que muda a sua volta. Porém, os alicerces que “seguram a casa” não podem balançar conforme a velocidade dos ventos. A acepção de desenvolvimento que entendo ser sustentável para Campinas de forma deve priorizar a sinergia com a universidade, deve considerar premissas de valores humanos inegociáveis, de gestões públicas que cuidem com responsabilidade do contexto presente, para que o presente venha a constituir futuros, os mais sólidos, os menos exclusivos possíveis, de maneira a preservar e cuidar da universidade como um patrimônio interligado ao desenvolvimento humano da cidade e de suas produções que elevam a ciência e educação.

Pensar o desenvolvimento de Campinas e da Universidade, passa ainda, a meu ver, a um exercício de nos perguntarmos qual é a compreensão semântica e de expressão que a palavra “desenvolvimento” nos confere no contexto 2020.  O desenvolvimento de uma cidade não pode ser lido unicamente pelos indicadores da arrecadação municipal de impostos. Uma arrecadação de R$ 6,7 bilhões (orçamento anual de 2020) da Prefeitura Municipal pode ser vista como um traço de desenvolvimento, porém este mesmo número perde toda a sua eloquência, quando nos defrontamos com a ausência de investimento em saúde pública no município e o transporte coletivo é o mais caro do país.

A Universidade de Campinas, por sua amplitude como centro de ensino, pesquisa, extensão e cobertura em saúde, apesar de contar com recursos financeiros dos repasses estaduais não está imune de impactos advindos das condições “de desenvolvimento” da cidade. E diversos setores da vida desta coletividade, como moradia, transporte de qualidade, segurança, saneamento, redes de proteção social, lazer, cultura e esportes são áreas relevantes para que a cidade saudável e sustentável, proporcione condições favoráveis ao desenvolvimento da Universidade. Não haverá universidade forte e desenvolvida numa cidade pauperizada e em desarmonia com a agenda de preservação de direitos cidadãos, de valores humanizados e de oportunidades iguais indistintamente.

Caso eleita vereadora de Campinas, confiando em minha experiência docente na Faculdade de Enfermagem (Unicamp), em minha atuação no Hospital de Clínicas, em meus princípios como cidadã e profissional de Saúde, ex-coordenadora do Programa UniversIDADE-Unicamp, pretendo atuar no Legislativo de forma responsável e atenta para, além do papel fiscalizador das ações do Executivo, empreender em prol da interlocução permanente entre Legislativo, universidade, sociedade civil e Executivo na seguinte direção de promover a efetivação de parcerias profícuas entre o Executivo, o Legislativo e a Unicamp. Estas parcerias, devidamente planejadas, reverberarão certamente para a melhoria da gestão pública municipal e o fortalecimento institucional de nossa Unicamp, com repercussão em desenvolvimento humano. 

Enfermeira Katia Stancato (PTB) – 14013
Candidata à vereadora