A ADunicamp divulgou nesta terça-feira, 7 de julho, o relatório final de um questionário feito com 401 docentes das diversas Unidades da Unicamp sobre os impactos do ensino remoto durante o período do isolamento social iniciado em março, quando as aulas presenciais foram suspensas na universidade.

O relatório, que se intitula “Condições de Trabalho Remoto Docente no Contexto da Pandemia de Covid-19, foi apresentado durante um encontro virtual, transmitido ao vivo e mediado pela presidente interina da ADunicamp, professora Sílvia Gatti. O encontro reuniu quatro docentes que integraram o GT (Grupo de Trabalho) responsável pela execução do questionário: André Pasti (Cotuca), Anna Christina Bentes (IEL), Antonio José de Almeida Meirelles (FEA) e Carlos Eduardo Miranda (FE).

O GT, criado em maio, reuniu docentes de diferentes Unidades e a consulta foi realizada durante duas semanas, no mês de junho. O relatório mostra que, do total de consultados/as, 54,3% foram mulheres e 45,5% homens com os seguintes números por faixas etárias: mais de 60 anos (28,7%), 50 a 59 anos (26,5%), 40 a 49 anos (27%), 30 a 39 anos (16,8%) e com menos de 30 anos (1,1%).

SETE EIXOS

Com gráficos detalhados, o relatório apresenta os resultados dos sete eixos de questões que nortearam o questionário:

  1. Perfil e condições individuais, domésticas e familiares das/dos docentes;
  2. Decisões da Universidade sobre o trabalho remoto;
  3. Condições gerais de trabalho remoto na Universidade;
  4. Cotidiano do ensino remoto na Universidade;
  5. Impactos institucionais do uso mais sistemático e constante de novas tecnologias de informação e comunicação no trabalho docente na Universidade;
  6. Dificuldades e aprendizados no contexto de ensino remoto na Universidade;
  7. Expectativas em relação à continuidade do semestre/ano letivo em contexto de pandemia e de suspensão do isolamento social.

NORTEAR DECISÕES

O relatório apresenta também uma seleção de relatos enviados por docentes que responderam as questões abertas do questionário. “Há relatos concretos e relatos qualitativos sobre a situação. Críticas e apoios às medidas administrativas que vêm sendo tomadas. O relatório captura a diversidade de posições da Universidade diante das atuais condições de trabalho”, avaliou o professor André.

O professor Carlos Miranda lembrou, durante o encontro de apresentação do documento, que os docentes consultados enviaram mais de 900 relatos, como respostas às questões livres do questionário. “Foi um retorno muito acima do esperado. O relatório apresenta um significativo volume de dados”, avaliou.

A professora Silvia destacou a importância do relatório para a tomada de decisões sobre o ensino na Universidade no segundo semestre, ainda durante a pandemia, e também no futuro pós-pandemia. “Não havia qualquer estudo ou base de dados para as decisões que foram tomadas até o momento. Pouquíssimas decisões da Reitoria envolveram docentes e discentes”, afirmou.

A professora Anna Bentes defendeu a necessidade de, a partir das conclusões do relatório, organizar ações conjuntas imediatas para melhorar o desempenho docente e discente na Universidade. Para ela, o relatório revela não só o “enorme engajamento dos professores da Unicamp com o ensino”, mas também “a extrema preocupação diante da situação atual”.

O relatório aponta ainda, na avaliação do professor Antonio José, para a necessidade de “experiências coletivas” e a “abertura de espaços nas decisões centrais da Universidade” para nortear as atuações já no segundo semestre.