A nomeação do novo presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES), ligada ao Ministério da Educação (MEC), representa mais uma agressão do Governo Bolsonaro à ciência e à universidade brasileira, sobretudo ao ensino laico, público, gratuito, de qualidade e socialmente referenciado.

A indicação de nome ligado ao setor privado do ensino superior e a segmentos evangélicos, o reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Benedito Guimarães Aguiar Neto, defensor do programa “Future-se” e de teses amplamente rejeitadas pela ciência, como o criacionismo (“design inteligente”), é não apenas preocupante, como indicativa de mais um retrocesso provocado pelo Governo Federal, por reforçar o proselitismo religioso e o negacionismo do pensamento científico, bem como por vincular o MEC a uma lógica empresarial e privatista do ensino, da tecnologia e da pesquisa nacionais.

A Diretoria da ADunicamp vem a público expressar consternação em relação à nomeação e conclama a comunidade científica a reagir prontamente a qualquer afronta dirigida à Constituição Federal, que coíbe o proselitismo religioso (Lei 9394/1996, Art 33), à autonomia universitária, à liberdade de cátedra e aos princípios que regem o caráter público, gratuito e laico das universidades federais e estaduais.

A Diretoria da ADunicamp