A ADunicamp vem a público expressar seu profundo repúdio ao ataque cibernético que o webinário “Atlântico Negro” sofreu no dia 8 de junho. O evento organizado pelos Programas de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que ocorria em uma sala virtual, foi abrupto e violentamente invadido por dezenas de vozes que, vociferando palavras de ordem fascistas e racistas procuraram calar a Profa Dra Lucilene Reginaldo, docente da Unicamp, cujo texto era debatido no âmbito da reunião acadêmica. Essa ação condenável não apenas fere a liberdade de cátedra e a circulação de ideias e conhecimentos, mas afronta e agride valores e práticas fundamentais do espírito universitário, como a difusão livre da reflexão e a abordagem de temáticas socialmente relevantes, como a escravidão e o racismo. O ataque sofrido pelo webinário “Atlântico Negro” associa-se às tentativas de recrudescimento da intolerância, do autoritarismo, da discriminação, do obscurantismo e do preconceito étnico-racial no País.

Tentativas de intimidação como as ocorridas durante a aula da Dra Lucilene Reginaldo, que procuram coagir avanços da compreensão dos impactos do racismo no Brasil e no Mundo, devem ser rigorosamente repudiadas pela comunidade universitária e pela sociedade como um todo.

Que sejam apuradas as condições e as ações realizadas nesse ataque cibernético, e que os envolvidos nessa ação sejam identificados e punidos. Não ao racismo! Não ao fascismo!

A ADunicamp se solidariza com os docentes das universidades envolvidas.

Viva a Universidade pública brasileira – plural, democrática, crítica, socialmente referenciada!