A partir do próximo dia 11 de abril, a ADunicamp assumirá a coordenação do Fórum das Seis (F6). O novo papel da entidade ganha ainda mais relevância devido a atual conjuntura política, que exigirá de docentes, trabalhadores e estudantes uma reação firme e organizada diante de todos os ataques direcionados às universidades públicas e ao funcionalismo público como um todo.

Nos últimos três anos, a coordenação do F6 ficou a cargo do Sintunesp e da Adunesp. Respeitando o rodízio estabelecido ainda no início dos anos de 1990, quando surgiu o Fórum da Seis, a ADunicamp ficará no posto até abril de 2020. Vale lembrar que o F6 é constituído pelos sindicatos dos trabalhadores da Unesp, Unicamp e USP (respectivamente, Sintunesp, STU e Sintusp) e das Associações de Docentes destas universidades (Adunesp, ADunicamp e Adusp).

Também fazem parte do F6 o Sinteps, que representa os trabalhadores do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (Ceeteps), e os Diretórios Centrais Estudantis (DCEs) da Unicamp e USP, além da representação estudantil da Unesp.

UNIÃO DE FORÇAS

A união das entidades que constituem o Fórum das Seis se fortaleceu com a promulgação do decreto de autonomia de gestão financeira (leia aqui), conquistado a partir da greve de docentes e funcionários das três universidades paulistas em 1988. A partir daí, as negociações da data-base saíram do âmbito do governo estadual, ou seja, deixaram de ser realizadas diretamente com o governador do estado. Assim, a partir de 1989, o interlocutor direto para questões salariais passou a ser o Cruesp, o Conselho formado pelos reitores da USP, Unicamp e Unesp e que, em tese, inclui também os secretários dos setores de Educação e Ciência e Tecnologia (hoje sob a pasta de Desenvolvimento Econômico). O Cruesp é atualmente presidido pelo Prof. Marcelo Knobel, reitor da Unicamp.

Paralelamente a isso, vale ressaltar, o Fórum das Seis sempre atuou e segue atuando diretamente na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), principalmente por ocasião das votações da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), quando as entidades têm pleiteado maior dotação orçamentária para as três universidades paulistas, a fim de sanar a crise de financiamento por qual atravessam as universidades.

Esse conjunto de fatores e as mais variadas lutas conjuntas realizadas principalmente no final dos anos de 1980 (SOS Universidade, por exemplo), acabou provocando uma aproximação maior e definitiva entre as entidades que formam o F6. Em 1994, o Sinteps, Sindicato dos Trabalhadores do Ceeteps, passou a integrar o Fórum das Seis, dada a vinculação administrativa que há entre o Ceeteps e a Unesp.

Por fim, a partir de 2001, os estudantes das três universidades estaduais paulistas também passaram a participar das reuniões do F6, por intermédio de seus diretórios centrais. Os DCEs contribuem, desde então, para elaboração da pauta de reivindicações unificada e para as diversas campanhas de interesse da comunidade universitária.

PAPEL

Há muito o Fórum deixou de ser a entidade com foco na luta por melhores salários e condições de trabalho para docentes e funcionários técnicos-administrativos da Unicamp, USP e Unesp. O F6 atua diretamente pela expansão do ensino superior público, gratuito e de qualidade; e, também, pela democratização do acesso à universidade pública.

E vai além. Certamente, hoje é possível afirmar que o Fórum das Seis também se constitui numa instância propícia para organizar as lutas em defesa da sobrevivência da universidade pública, da liberdade de cátedra e, principalmente, da democracia brasileira.

“O momento político e econômico do país é bastante conturbado. Sabemos da importância das Universidades Públicas Paulistas no contexto nacional e de seu papel na defesa da democracia, na defesa da ciência e da liberdade de cátedra e contra o obscurantismo que tem povoado o governo federal. Há também uma pauta mais propriamente sindical a ser abraçada que responde à recuperação das perdas salariais dos últimos anos, à nossa resistência às mudanças na Previdência Social e também à conquista e estruturação da carreira para docentes e técnico-administrativos das Universidades”, afirma o professor Wagner Romão, presidente da ADunicamp e coordenador do F6. E continua: “Estas ações são parte indissociável da defesa da Universidade Pública, que compete a toda a sociedade brasileira”.