Na manhã desta terça-feira, 21, a Unicamp lançou o Centro de Estudos Centro de Estudos Africanos e Afro-brasileiros da Faculdade de Educação (FE/Unicamp). A iniciativa apoiada pela reitoria da Unicamp partiu da Comissão Especial de Estudos Sobre a Lei 10.639/03 da Câmara de Campinas. O evento foi realizado no Salão Nobre da Faculdade de Educação e contou com a presença de professores/as, pesquisadores/as, estudantes, representantes de religiões de matriz africanas e do movimento negro.

A comissão, que atualmente é presidida pelo vereador Carlão (PT), e o Fórum de Educação e Diversidade das Relações Étnico Raciais – que conta com representantes da Câmara Municipal de Campinas, do Movimento Negro, de entidades sindicais e das universidades PUC-Campinas, Unicamp e Unisal – têm discutido as questões raciais na região de Campinas, bem como as ações de enfrentamento ao racismo e discriminação racial.

“O objetivo da criação do Centro é o de congregar pesquisadores/as, estudantes, professores/as da educação básica, membros dos movimentos de luta antirracista, representantes dos povos tradicionais de matriz africana e o poder público, na perspectiva da produção de conhecimentos voltados ao estudo das questões raciais e ampliação de saberes relativos à História Africana e Afro-brasileira. Essa interlocução entre a universidade e a sociedade vai contribuir para projetos e ações de enfrentamento do racismo”, comentou Carlão, através de postagem feita em suas redes sociais.

Desde 2015, a comissão especial sobre a lei 10.639/03 e a Unicamp realizam a pesquisa “A Consolidação da Lei 10.639/03 no Município de Campinas”, que também envolve o Instituto Federal de São Paulo, a Secretaria Municipal de Educação e a Câmara Municipal dos Vereadores de Campinas. A pesquisa teve seu relatório aprovado pela Câmara Municipal de Campinas e foi publicado pela Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros.

A professora Ângela Soligo (FE/Unicamp), uma das coordenadoras da pesquisa, enaltece a importância da criação do centro e aponta diversas razões para isso. “São várias e de igual relevância, tais como a de congregar a pesquisa sobre a africanidades, sobre história e questões raciais, num Centro que traz uma perspectiva pluri e interdisciplinar. Outro fator relevante é que o Centro não se volta somente para a comunidade interna da Unicamp – docentes, funcionários/as e estudantes -, queremos que estes três segmentos participem ativamente, mas, nós queremos, também, trazer a comunidade externa, os movimentos sociais das africanidades, das lutas antirracistas. Queremos trazer educadoras e educadores, que estão no sistema público e no sistema privado, para construímos juntos (o centro). E, também, para oferecer conhecimento e subsídios para a sociedade pensar o racismo e para a educação organizar-se pensando na história da África, nas africanidades. A iniciativa de se criar o Centro é um movimento de diálogo entre a comunidade interna da Unicamp e a comunidade externa”, avaliou.

A ADunicamp manifesta seu apoio à iniciativa e, nas palavras do presidente da entidade, professor Wagner Romão – que esteve presente no lançamento do Centro -, “a Universidade tem buscado, ainda que tardiamente, se redimir do triste passado escravocrata de nosso país e também da cidade de Campinas. É fundamental que a Unicamp se engaje cada vez mais no combate às desigualdades que permanecem no Brasil.”

Por fim, vale lembrar que a data escolhida para o lançamento do Centro de Estudos Centro de Estudos Africanos e Afro-brasileiros da Faculdade de Educação (FE/Unicamp) não se deu por acaso. A data, 21 de maio, é alusiva a Semana de Solidariedade aos Povos Africanos – Lei Municipal nº 10.196 de 18 de agosto de 1999 e Lei Estadual nº 11.549/2003.